8ª Onda Pesquisa Covid-19: volta às aulas presenciais muda a rotina dos jovens brasileiros que trabalham

8ª Onda Pesquisa Covid-19: volta às aulas presenciais muda a rotina dos jovens brasileiros que trabalham

A retomada das aulas presenciais teve um impacto significativo na vida dos adolescentes e jovens do país. Se em julho apenas 1% deles comparecia a instituições de ensino, o índice agora é de 30%. O total de indivíduos cursando alguma modalidade de ensino também evoluiu no período, passando de 51% para 57%. Contudo, é alto o percentual de jovens fora dos estudos: 43%. Nove em cada dez integrantes desse grupo concluíram o ensino médio, mas não deram continuidade à formação. 

Os números são da mais recente rodada da Pesquisa Jovem Covid-19, maior levantamento do país sobre os impactos da crise sanitária na vida dos brasileiros na faixa etária de 15 a 24 anos. 

Realizada pelo Espro (Ensino Social Profissionalizante), a iniciativa já colheu aproximadamente 21 mil entrevistas desde abril de 2020, ouvindo adolescentes e jovens sobre aspectos pessoais e profissionais de suas vidas, em 15 estados mais o Distrito Federal. Na mais nova fase, a oitava, o estudo consultou 2.276 pessoas durante o mês de novembro.

Segundo o levantamento, o percentual de jovens com a formação interrompida varia de acordo com o perfil da renda familiar. Nas famílias com renda mensal de até um salário mínimo, o índice é de 49%, e decresce progressivamente até os 34% nas famílias com rendimento superior a cinco salários mínimos.

“Os achados da pesquisa mostram que ainda estamos longe de superar os impactos da pandemia no atendimento educacional”, observa Alessandro Saade, superintendente executivo do Espro. “Desde o início da crise sanitária, muitos jovens das classes mais vulneráveis se tornaram arrimos de família, o que trouxe um impacto emocional ainda maior para este grupo”.

Segundo a pesquisa do Espro, 57% dos alunos do ensino médio já retornaram às aulas presenciais. Entre os universitários, o número cai para 5%. O ensino à distância (EAD), realizado por 85% dos jovens em julho, despencou para 52% em dezembro. 

Panorama similar no trabalho

Na vida profissional, a situação também é diferente de acordo com a realidade financeira. Apenas 13% dos jovens de famílias com renda familiar de até um salário mínimo continuam em home office, número que sobe para 24% naqueles pertencentes a famílias com rendimento mensal acima dos cinco salários mínimos. Nessa faixa, 54% estão saindo de casa para trabalhar, enquanto na de menor renda o índice sobe para 64%. Em abril de 2020, apenas 11% dos jovens estavam trabalhando fora de casa.

Outro fator constatado pelo levantamento é que mais homens jovens retornaram à rotina normal de trabalho (65%, contra 58% das mulheres), enquanto mais mulheres jovens permanecem em regime de home office (17%, contra 14% dos homens). 

Com o avanço da vacinação e a queda no número de infectados, a socialização também aumentou nos lares. De acordo com a mais recente pesquisa do Espro, a porcentagem de entrevistados que afirmaram não receber visitas em casa como medida de prevenção à doença recuou de 51% (julho) para 28%. A percepção da Covid-19 como doença “muito contagiosa” também caiu de 81% para 74%.

Circulação maior, mas com cuidado

De acordo com a pesquisa, 52% dos entrevistados afirmaram já sair de casa normalmente para trabalhar e estudar, tomando todos os cuidados. O grupo de jovens que dizem sair de casa somente para o essencial (supermercado e farmácia, por exemplo) caiu de 29%, em julho, para 14%. Em maio de 2020, o índice era de 71%.

No entanto, a maioria dos jovens ainda afirma estar muito preocupada em ficar doente (43%) e que seus familiares fiquem doentes (59%). Também receiam os impactos da pandemia na economia (43%) e a perda do emprego ou fonte de renda (58%). Eles também continuam seguindo os principais protocolos de prevenção à Covid-19, como uso de máscara facial (96%), o uso de álcool em gel (95%) e a lavagem frequente das mãos (90%).

Perspectiva favorável

Apesar de os reflexos socioeconômicos da pandemia ainda levarem tempo para serem superados, Saade acredita num ano de 2022 melhor para os jovens no Brasil. “Conseguimos em menos de um ano voltar para a base de jovens atendidos antes da pandemia, e já superamos aquele número. O ano que vem será de retomada, e as empresas parceiras já nos sinalizam que existe uma perspectiva de empregabilidade grande”, relata o superintendente executivo do Espro. 

Metodologia

A Pesquisa Jovem Covid-19 tem como objetivo mapear o comportamento de adolescentes e jovens brasileiros frente à pandemia, transformando-se em uma poderosa ferramenta do Espro no aprimoramento de suas políticas de capacitação e inserção dessa parcela da população no mundo do trabalho.

Para isso, a pesquisa mede, desde o início da pandemia, os diferentes aspectos da vida dos adolescentes e jovens brasileiros entre 15 e 24 anos. Entre os temas abordados estão informações e preocupações com a Covid-19, medidas de proteção utilizadas, bem-estar, emprego, comportamento familiar e estudos. 

Até agora, já foram colhidas cerca de 21 mil entrevistas, com respostas de 15 estados, mais o Distrito Federal. A pesquisa é dividida em etapas, totalizando até o momento oito: abril/20, maio/20, julho/20, agosto/20, novembro/20, abril/21; julho/21 e novembro/21.

A pesquisa, composta por questionário com 25 perguntas, é feita via formulário com adolescentes e jovens ativos de programas do Espro. O índice de confiabilidade da Pesquisa Jovem Covid-19 é de 99%, com margem de erro de 3 pontos percentuais.

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