Jovens aprendizes em situação de alta vulnerabilidade social enfrentam dificuldades na efetivação e buscam por recolocação, aponta estudo 

Pesquisa de empregabilidade, feita com base no Índice de Vulnerabilidade do Espro (IVE), revela o grau de vulnerabilidade dos jovens atendidos pela entidade no mercado

O Espro apresenta sua Pesquisa Anual de Empregabilidade, levantamento realizado com objetivo de identificar a taxa de efetivação dos jovens que passaram pelos programas de Formação do Mundo do Trabalho (FMT) e/ou Jovem Aprendiz da entidade. Nesta edição, 59% dos ex-aprendizes do Espro, com idade entre 17 e 24 anos, estão ocupados, sendo 52% empregados na CLT, 6% na informalidade e 1% no funcionalismo público. Entre os 41% de jovens que não estão trabalhando, 96% procuram recolocação.

Quando é feito o recorte dos dados em relação ao grau de vulnerabilidade, os índices de efetivação dos jovens aprendizes são discrepantes. Pouco mais da metade dos jovens em situação de alta vulnerabilidade, 52% foram efetivados em 2021. Para aqueles que estão em média e baixa vulnerabilidade, os índices foram de 60% e 78%, respectivamente.

A taxa de desemprego daqueles que estão em situação de alta vulnerabilidade é de 48%, mais que o dobro se comparada àqueles em baixa vulnerabilidade, de 22%. A diferença também é considerável na empregabilidade formal. Enquanto 43% dos jovens em situação de alta vulnerabilidade social estão empregados formalmente, esse número chega a 72% para aqueles em baixa vulnerabilidade.

Para o superintendente executivo do Espro, Alessandro Saade, o desinteresse das empresas em investir e efetivar o aprendiz após o término do contrato de aprendizagem previsto em lei, corrobora com a desigualdade e o elevado índice de desemprego dos jovens.

“Só no banco de talentos do Espro, existem 500 mil jovens esperando sua primeira chance no mercado de trabalho. Porém, com a crise econômica, social e sanitária gerada pela pandemia, as empresas ficaram mais resistentes em contratar jovens aprendizes. Vale destacar que são mais de quatro milhões de jovens beneficiados com o primeiro emprego em seus 20 anos de existência, o que equivale a quatro milhões de famílias que tiveram uma nova perspectiva de vida por meio de seus jovens. Acredito que a melhor maneira de conscientizar as empresas é mostrar como elas contribuem de maneira significativa para a vida destes jovens e suas famílias e, consequentemente, para a sociedade, ao dar a oportunidade”.

Motivos 

Na pesquisa, os jovens foram questionados sobre os motivos para estarem desempregados. Não ter a experiência solicitada pelos recrutadores foi   considerado o maior deles, com 38%; perderam o emprego durante a pandemia e não conseguiram se realocar, 20%; acreditam que existam pessoas mais qualificadas no mercado, 18%; não encontram vagas, 14%; o horário de estudo conflitante com o horário da vaga, 11%; e as vagas ficam longe de casa, 10%.

IVE

O Índice de Vulnerabilidade Espro é um padrão inédito de critérios para aferir a vulnerabilidade social de adolescentes e jovens brasileiros. Foram definidos nove critérios-base para sua criação: orientação de gênero, raça, orientação sexual, renda familiar, escolaridade da mãe e/ou responsável, fonte de renda, beneficiário de políticas públicas, rede de ensino e condições do domicílio.

O IVE tem como objetivo identificar quais jovens necessitam da ação da entidade com mais urgência, além de aferir os impactos da associação filantrópica na vida dos aprendizes sob sua responsabilidade, em termos de melhorias de suas condições socioeconômicas.

Na Pesquisa de Empregabilidade 2022, foi possível constatar que a maioria dos jovens que responderam são mulheres (73%), negras  (57%), dividem a casa com mais duas pessoas (26%) e têm renda familiar de até 2 salários mínimos (61%).